Punch lines

 

A Casa do Marcel é um país culto, mas curioso.

Culto porque, diferentemente dos hábitos em Brasa Hill, nas maiores estações de rádio e canais de TV sempre há críticos Marceleses expondo seus pontos de vista. Eventos culturais,filmes, teatro, musica, livros…nada passa despercebido desta nação que tem uma verdadeira larica de arte.

Mas é bem curiosa a forma com que estes pontos de vista são discutidos. Não é raro – na verdade, é praticamente a regra – que aglutinações midiáticas de Marceleses altamente esclarecidos descambem para quebra-paus homéricos. E eles são tão frequentes quanto as produções cinematográficas e editoriais desta região do globo…

Basta sentar-se diante da TV após as 22 horas que o espectador estrangeiro inadvertido deparar-se-á com filósofos, cinéfilos, sociólogos e literatos gritando uns com os outros e pensará estar  diante de uma torcida ébria num jogo de várzea obscuro.

Das duas uma : ou esse estrangeiro se assusta (principalmente se ele vier de um país onde o maior argumento da TV aberta é a anatomia feminina escancarada, como por exemplo, em Brasa Hill) ou ele se mata de rir (principalmente se ele vier de um país onde discussões acaloradas são apenas representações cômicas que antecedem sessões de anatomia feminina escancarada – como por exemplo, onde? Em Brasa Hill.)

Esses debates, entretanto, ensinam muito aos que vivem no quarto de visitas dessa pequena grande casa (como os autores desta coluna). E apontam, com muita inteligência e uma boa dose de cinismo, para aspectos sócio-culturais que não se revelam facilmente. Principalmente, quando o único ponto de vista que temos enquanto forasteiros é o da fila na base da torre Eiffel.

É por esta razão que, na ponta dos pés, nos aproximamos de fininho do ombro do Marcel para olhar por cima dele e contar, de sua perspectiva única, um pouco do que ele vê, do que ouve e do que lê.

Só assim para conhecer verdadeiramente que tipo de seiva corre em suas veias criativas. E, acima de tudo, para compreender finalmente o porquê de ele ser ainda o dono da bola no campinho da cultura ocidental. Ainda que seja, para o bem ou para o mal,  o mais ranzinza de seus artilheiros.

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